COMMUTATIO
Eu mudo, o mundo muda.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Jesus
Muitas vezes me pergunto se Jesus era um homem de carne e osso como nós mesmos, ou um pensamento incorpóreo em nossa mente, ou uma idéia que visita a visão do homem.
Muitas vezes me parece que Ele foi apenas um sonho, sonhado por inúmeros homens e mulheres ao mesmo tempo, em um sono mais profundo que o sono, e em uma aurora mais serena que todas as auroras.
E parece que ao relatar o sonho um para outro, começamos a considerá-lo uma realidade que tenha de fato acontecido; e ao dar-lhe corpo, de nossa fantasia, e dar-lhe uma voz, de nossos anseios, tornamo-lo substância de nossa própria substância.
Mas na verdade Ele não foi um sonho. Nós O conhecemos durante anos, e O observamos com nossos olhos abertos à luz do meio-dia.
Tocamos Suas mãos, e O seguimos de um lugar para outro. Ouvimos Seus discursos e testemunhos Seus feitos. Julgai que éramos um pensamento buscado por mais pensamentos, ou um sonho na região dos sonhos?
Grandes eventos sempre parecem alheios à nossa vida diária, embora em sua natureza possa estar enraizada em nossa natureza. E embora pareçam repentinos ao aparecer e ao desaparecer, sua verdadeira duração é de anos e de gerações.
Jesus de Nazaré foi, Ele mesmo, o Grande Evento. Este homem, cujo pai, mãe e irmãos conhecemos, foi por Si mesmo um milagre na Judéia. Sim, todos Seus milagres, se colocados a Seus pés, não alcançariam a altura de Seus tornozelos.
E todos os rios de todos os anos não levarão a lembrança que temos d'Ele.
Ele era uma montanha ardendo na noite, mas era também um suave brilho atrás das colinas; uma tempestade no céu, mas era também um murmúrio na névoa do amanhecer.
Também era uma torrente jorrando das alturas para a planície, destruindo tudo em seu caminho e era como o riso das crianças.
Todos os anos eu esperava que a primavera visitasse este vale. Esperava pelos lírios e pelos ciclames, mas todos os anos meu coração se entristecia dentro de mim, pois sempre esperava regozijar-me com a primavera e não podia.
Mas quando Jesus veio às minhas estações, Ele era, de fato, a primavera, e n'Ele estava a promessa de todos os anos vindouros. Ele encheu meu coração de alegria; eu cresci como as violetas, algo tímido, na luz de Sua vinda.
E agora, as mutáveis estações dos mundos que ainda não são nossos, não apagarão Sua formosura de nosso mundo.
Não, Jesus não foi um fantasma, nem uma concepção de poetas. Ele era um homem, como qualquer um, mas apenas quanto à visão, ao tato e ao ouvido; em todas as outras coisas era diferente de nós.
Ele era um homem de alegria; e foi no caminho da alegria que Ele encontrou a tristeza de todos os homens. E era das alturas de Suas tristezas que contemplava a alegria de todos os homens.
Jesus tinha visões que não podíamos ver, e ouvia vozes que não ouvíamos; nem falava como que para multidões invisíveis, e muitas vezes falou através de nós para raças ainda nem nascidas.
Muitas vezes Jesus estava sozinho; estava entre nós, mas não estava conosco; estava no mundo, mas era do céu. E apenas em nossa solidão podemos visitar a Sua solidão.
Ele nos amava com terno amor. Seu coração era um lagar. Tu e eu podíamos nos aproximar com a taça e nela beber o vinho.
Uma coisa eu costumava não entender em Jesus: ele podia divertir-Se com Seus ouvintes; Ele podia fazer gracejos e jogar com as palavras; podia rir em toda plenitude de Seu coração mesmo quando havia distância em Seus olhos e tristeza em Sua voz. Mas agora eu entendo.
Muitas vezes penso na terra como em uma mulher grávida de seu primeiro filho.
Trecho do livro Jesus, O Filho do Homem - Autoria de Gibran Khalil Gibran
Muitas vezes me parece que Ele foi apenas um sonho, sonhado por inúmeros homens e mulheres ao mesmo tempo, em um sono mais profundo que o sono, e em uma aurora mais serena que todas as auroras.
E parece que ao relatar o sonho um para outro, começamos a considerá-lo uma realidade que tenha de fato acontecido; e ao dar-lhe corpo, de nossa fantasia, e dar-lhe uma voz, de nossos anseios, tornamo-lo substância de nossa própria substância.
Mas na verdade Ele não foi um sonho. Nós O conhecemos durante anos, e O observamos com nossos olhos abertos à luz do meio-dia.
Tocamos Suas mãos, e O seguimos de um lugar para outro. Ouvimos Seus discursos e testemunhos Seus feitos. Julgai que éramos um pensamento buscado por mais pensamentos, ou um sonho na região dos sonhos?
Grandes eventos sempre parecem alheios à nossa vida diária, embora em sua natureza possa estar enraizada em nossa natureza. E embora pareçam repentinos ao aparecer e ao desaparecer, sua verdadeira duração é de anos e de gerações.
Jesus de Nazaré foi, Ele mesmo, o Grande Evento. Este homem, cujo pai, mãe e irmãos conhecemos, foi por Si mesmo um milagre na Judéia. Sim, todos Seus milagres, se colocados a Seus pés, não alcançariam a altura de Seus tornozelos.
E todos os rios de todos os anos não levarão a lembrança que temos d'Ele.
Ele era uma montanha ardendo na noite, mas era também um suave brilho atrás das colinas; uma tempestade no céu, mas era também um murmúrio na névoa do amanhecer.
Também era uma torrente jorrando das alturas para a planície, destruindo tudo em seu caminho e era como o riso das crianças.
Todos os anos eu esperava que a primavera visitasse este vale. Esperava pelos lírios e pelos ciclames, mas todos os anos meu coração se entristecia dentro de mim, pois sempre esperava regozijar-me com a primavera e não podia.
Mas quando Jesus veio às minhas estações, Ele era, de fato, a primavera, e n'Ele estava a promessa de todos os anos vindouros. Ele encheu meu coração de alegria; eu cresci como as violetas, algo tímido, na luz de Sua vinda.
E agora, as mutáveis estações dos mundos que ainda não são nossos, não apagarão Sua formosura de nosso mundo.
Não, Jesus não foi um fantasma, nem uma concepção de poetas. Ele era um homem, como qualquer um, mas apenas quanto à visão, ao tato e ao ouvido; em todas as outras coisas era diferente de nós.
Ele era um homem de alegria; e foi no caminho da alegria que Ele encontrou a tristeza de todos os homens. E era das alturas de Suas tristezas que contemplava a alegria de todos os homens.
Jesus tinha visões que não podíamos ver, e ouvia vozes que não ouvíamos; nem falava como que para multidões invisíveis, e muitas vezes falou através de nós para raças ainda nem nascidas.
Muitas vezes Jesus estava sozinho; estava entre nós, mas não estava conosco; estava no mundo, mas era do céu. E apenas em nossa solidão podemos visitar a Sua solidão.
Ele nos amava com terno amor. Seu coração era um lagar. Tu e eu podíamos nos aproximar com a taça e nela beber o vinho.
Uma coisa eu costumava não entender em Jesus: ele podia divertir-Se com Seus ouvintes; Ele podia fazer gracejos e jogar com as palavras; podia rir em toda plenitude de Seu coração mesmo quando havia distância em Seus olhos e tristeza em Sua voz. Mas agora eu entendo.
Muitas vezes penso na terra como em uma mulher grávida de seu primeiro filho.
Trecho do livro Jesus, O Filho do Homem - Autoria de Gibran Khalil Gibran
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